Toda terça-feira, há 5 anos, o físico Luiz Alberto Oliveira vem falar de filosofia aqui. É muito útil. Ninguém quer ser intelectual, mas a gente fica com uma idéia do planeta, que está lá no fim da galáxia, longe de tudo. Isso dá a você uma idéia melhor da precariedade do ser humano, que é um fodido. Nasce, morre, como outro bicho qualquer, então por isso mesmo ele deve ser mais modesto, não pensar que é importante. O sujeito que pensa que é importante é para mim um débil mental. -Oscar Niemeyer

sábado, abril 30, 2005

Crítica ao Espírito do romantismo



    Em Diekunst, mit frauen umzugehen, ou A Arte de lidar com as mulheres, Schopenhauer define o amor como um mal. E escreve acerca do romantismo: "O romantismo é um produto do cristianismo. Religiosidade exagerada, veneração fantástica às mulheres e valentia cavalheiresca, portanto Deus, a dama e a espada são símbolos daquilo que é romântico."

    Como ele explicaria o romantismo para um ateu? Bem, no momento, não interessa. Veja bem, caro leitor: não pretendo me referir ao romantismo enquanto determinado período histórico ou movimento artístico ou literário, mas enquanto algo que se desvela em dor derramada, em dor-de-cotovelo, em um derrotismo inexoravelmente improdutivo e patético. E mesmo no campo das artes, se não conduzida por uma mente capaz de oferecer-lhe vazão em verve de genialidade, esvai-se em uma representação estética irremediavelmente brega ou cafona. Há algo mais conservador e reaccionário do que o romantismo? Pode até haver, mas nesse momento não me ocorre. O romantismo está para o conservadorismo como a manutenção do status quo, há uma enorme aversão e receio de mudanças. E a espécie de romantismo à qual me refiro é aquela que atrai covardes e pusilânimes de todos os gêneros. Súcia da qual, para minha vergonha, já fiz parte. Já tentei ser o mais idealista e altruísta dos românticos, mas de tanto apanhar, chega-se a um ponto no qual não se sente mais dor. Poderia ser essa a cura? Bem, esta só veio, efetivamente, quando pude ouvir as vozes da autocrítica, do juízo estético, do pragmatismo, da serenidade, da maturidade e da racionalidade. Homens choram ou não? Bem, já não interessa responder a essa questão, tanto faz. Guerreiros aprendem a enterrar os seus e a seguir a batalha, niemals kapitulieren.

    Uma das características mais marcantes do mal-do-século, além do romantismo desenfreado, é o sentimento de evasão, fuga da realidade, cultivar paisagens, lugares e épocas distantes, cultivar a morte. Evasão de algo para o qual aparentemente não há escapatória, um sentimento perseverante de dor, um quase claustrofobia para a qual a única saída seria gritar "pára o mundo que eu quero descer!" Pode chegar às vias da autocomiseração. Sentimento de quem vive no passado, morre no presente, nega o futuro. Bem ou mal, a vida continua, e o fato do agonizante considerar ter uma existência terrível não impede que ele tenha uma existência terrível.

    Tal paixão é uma doença, o mal dos tolos; não sendo juízo de valor, não necessita ser racionalmente justificada. Ora, espera-se tudo de um uma alma apaixonada, menos sensatez! Se a finalidade do homem é a realização de suas potencialidades, cultiva-se um objeto ideal, impossível, irrealizável. Este ser, incapaz de discernir, perde a identidade, desconhece sua essência, desconhece a si próprio e aquilo que o cerca. Nos moldes do que seriam a fragmentação do Espírito para Hegel, a religião para Feuerbach ou a economia para Marx, o romantismo é alienação. Alienação para a qual a única forma de libertação seria o chamamento para a razão e o pragmatismo. Meu amigo Alphonse Van Worden certa vez escreveu "é infinitamente mais lógico deletar o passado a limitar o presente"; com efeito, se é para sermos românticos, sejamos com aquilo que é possível e realizável!!

    "Dias há que n'alma me tem posto um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê." Este seria o pensamento de um loser. Se Camões foi genial, mesmo o mais genial dos homens será esquecido. Não tenhamos a pretensão de ser "Camões", quando nos dermos conta, a vida nos terá atropelado!

    E como diria o bom e velho Che, hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás.

quinta-feira, abril 21, 2005

Jmpertjnêncjas


Ev e mjnha mjgvcha Kaká, no bar Sierra Maestra, lá pelo dja 9 de abrjl. Reparem no sorrjso jmpertjnente da Mona Ljsa. É, o blog anda bem despojadjnho. Vm gverrejro nvnca se dejxa abater! :p

¡¡¡LLJK DNA LATEM YVÆH!!!

segunda-feira, abril 11, 2005

Dica para o "polvo"




A quem interessar:

Goethe Institut - Curso de Alemão para Juristas

Dias: 6 de Maio a 24 de Junho, às sextas-feiras
Horário: das 18h30 às 21h45
Matrículas: 18 a 20 de Abril

Valores: R$ 392 + taxa de matrícula (R$ 50 para novos alunos)
Informações - Fone: 32227832
Rua 24 de Outubro, 112

domingo, abril 03, 2005

Vma vjsjta jlvstre e o strogonoff da Kaká



Tive a enorme satisfação e privilégio de receber o insígne professor Marco Bataglia, vindo de SP, durante o advento da Páscoa, durante a qual a programação estava formidável - exceto por um barzinho extremamente enfumaçado (o qual peço desculpas, também não suporto cigarros). Conversas sobre música, livros, mulheres (nossa, quando inventam de criar problemas...) até mesmo política, durante uma inusitada troca de idéias com um maluco que resolveu me interpelar na Usina do Gasômetro, sobre Marx. Marco deve ter ficado com a impressão de que só há loucos nessa cidade. Anyway, além de ir na exposição do Miró no Santander (FENOMENAL!! O lugar é tão lindo que é difícil eleger o que olhar: a arquitetura, o Miró ou les belles femmes que lá circulavam), restaurantes (fiquei devendo uma churrascada no 'Na Brasa' ou um frutos-do-mar na Mosquiteiro), cafés, de inúmeros passeios e até uma volta de barco, pude conhecer coisas sobre minha cidade que até eu desconhecia! No último dia, culminando as festividades, o já famoso strogonoff da Kaká fecha com chave de ouro (quem não conhece, não sabe o que está perdendo).


Cebola picadinha, cortesia de monsieur Batalha


Eis o STROGONOFF!! Voilá!!


Marco e a 'chef' Kaká, presenças marcantes


Feijão. Sacaunagem, ficou só olhando.

Para não deixar o leitor apenas na vontade, vou improvisar uma receita de strogonoff por aqui:

600 gr de Filet Mignon em cubos ou tiras pequenas;
1 caixa de extrato de tomate
1 pote de cogumelos
1 dose de vinho tinto
1 cebola (picada em pedaços pequenos), 1 dente de alho e 1 tomate sem semente
1 caixa de creme de leite (coloque apenas no final, senão talha)
1 saco de batata palha

acompanhamento? Arroz ao funghi Tio João (é só colocar o pacotinho em água fervendo e temperar. Não deixa a Kaká fazer, fica um grude)!

Abraços




Música do dia?


La donna é mobile
Qual piuma al vento,
Muto d’accento - e di pensiero.

Giuseppe Verdi


__________________________
Feliz é aquele que sabe ao certo o que procura, porque quem não sabe o que procura, não vê quando encontra.
(Claude Bernard)

Books

  • CHESTERTON, G. K.. Ortodoxia
  • CLAUSEWITZ, Carl von. Der Krieg
  • COLERIDGE, S. T. Biographia Literaria
  • EVOLA, Julius. Men Among the Ruins
  • GUDERIAN, Generaloberst Heinz. Panzer Leader
  • GUÉNON, René. The Crisis of the Modern World
  • JUNGER, Ernst. Storm of Steel
  • SCHMITT, Carl. Der Begriff des Politischen
  • SWIFT, Jonathan. Panfletos Satíricos

Fave music:

Syd Barrett's Pink Floyd, Cream & Clapton, King Crimson, Univers Zero, Heldon, Faust, Magma, Mahavishnu Orchestra, Miles Davis, Astor Piazzola, Frank Zappa, Marty Friedman, Al Di Meola, Jefferson Airplane, Led Zeppelin, Funkadelic, Allman Brothers, Blue Cheer, Beatles, U2, Chrome, Velvet Underground, The Stooges, John Cage, Villa-Lobos, Beethoven, Bartók, Stravinsky, Bach... & Coltrane, Coltrane, Coltrane, C-O-L-T-R-A-N-E-!

E SLAYER, PORRA.

Pleonasmo


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O Autor

O homem só será capaz de atingir sua racionalidade plenamente quando for capaz de despir-se de tudo o que lhe deveria ser abstruso, principalmente os adereços da ignorância e do preconceito.

Plus au sujet de moi: Vous la saurez en temps voulu... Ou peut-être vous ne saurez jamais... Qui sait? Ah, arquétipos: tropismo por mulheres de óculos.


"O casaco de Arabela Tá com bosta na lapela É bom, mas está borrado. Veio o inverno, veio o frio, O casaco ainda serviu, Borrado não é rasgado." Bertolt Brecht


Humor: Les couleurs du chat peuvent changer.