Toda terça-feira, há 5 anos, o físico Luiz Alberto Oliveira vem falar de filosofia aqui. É muito útil. Ninguém quer ser intelectual, mas a gente fica com uma idéia do planeta, que está lá no fim da galáxia, longe de tudo. Isso dá a você uma idéia melhor da precariedade do ser humano, que é um fodido. Nasce, morre, como outro bicho qualquer, então por isso mesmo ele deve ser mais modesto, não pensar que é importante. O sujeito que pensa que é importante é para mim um débil mental. -Oscar Niemeyer

quarta-feira, março 02, 2005

Uma recomendação de leitura



    Há pouco li um livrinho (o formato é pocket) de grande valor informativo, Modernismo Brasileiro e Vanguarda, escrito por Lúcia Helena, professora da UFRJ. Em um texto bastante didático e com boa dose de erudição e clareza (sem contudo aprofundar-se além do necessário), a autora expõe os rumos da pesquisa estética através de movimentos que modificaram radicalmente a história da arte no decorrer do séc. XX, uma overview de movimentos como futurismo, expressionismo, cubismo, dadaísmo e surrealismo, e as implicações e reflexos destes movimentos da vanguarda européia na situação cultural, social e política brasileira. O futurismo desencadearia, no Brasil, durante a Semana de Arte Moderna de 1922, o movimento conhecido como Modernismo. A autora relata ainda as relações destes movimentos em conflito com os ideais primitivistas, ufanistas, conservadores, etc. Um relato preciso da vanguarda vista como uma ruptura nos "moldes acadêmicos e conservadores de uma arte envelhecida e cristalizada", no que ela descreve como "valorização da linguagem enquanto tema e objeto da própria arte, a insatisfação do criador em face de procedimentos já sedimentados e a busca de penetrar nos domínios do inconsciente". Um livro agradável, mas o que de facto me entusiasmou foi a óptima relacção "conteúdo informativo" vs. "rapidez de leitura".



    Não obstante, neste intermezzo, tive acesso a trechos de "Manifesto do futurismo", "Manifesto técnico da literatura futurista" e "Suplemento ao manifesto técnico da literatura italiana", de Fillippo Marinetti (1876-1944), bem como o manifesto cubista de Guillaume Apollinaire, o sensacional Manifesto Dada de Tristan Tzara (que eu bem já conhecia) e "A bofetada no gosto público", trazendo à lume o Cubofuturismo russo de Burliuk, Khlebnikov, Kruchenik e Maiakovsky. Todos impressionantes.

Manifesto do Futurismo (1909, publicado no jornal francês Le Figaro)

1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à temeridade.
2. Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.
3. Tendo a literatura até aqui enaltecido a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, nós queremos exaltar o movimento (...), a bofetada e o soco.
4. Nós declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu de uma coisa nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seus cofres adornados por grossos tubos como serpentes defôlego explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Victoria de Samotraccia.
5. Nós queremos cantar o homem que está na direcção, cuja haste ideal atravessa a Terra, arremessada sobre o circuito de sua órbita.
(...)
7. Não há mais beleza senão na luta. Nada de obra-prima sem um caráter agressivo. A poesia deve ser como um assalto violento contra as forças desconhecidas, para intimá-las a deitar-se diante do homem.
(...)
9. Nós queremos glorificar a guerra -- cuja higiene do mundo -- o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas idéias que matam, e o menosprezo à mulher.
10. Nós queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo, o feminismo e todas as covardias oportunistas e utilitárias.
(...)
É para a Itália que nós lançamos este manifesto de violência agitada e incendiária, pela qual fundamos o FUTURISMO, porque queremos livrá-la de sua gangreana de professores, de arqueólogos, de cicerones e antiquários.

Manifesto Técnico da literatura futurista

1. É preciso destruir a sintaxe, dispondo os substantivos ao acaso, como nascem.
2. Deve-se usar o verbo no infinito, para que se adapte elasticamente ao substantivo e não o submeta ao "eu" do escritor que observa ou imagina. (...)
3. Deve-se abolir o adjectivo, para que o substantivo desnudo conserve a sua cor essencial. (...)
4. Deve-se abolir o advérbio, velha fivela que une as palavras umas às outras.



That's it, enjoy!
Best regards, yours truly
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Books

  • CHESTERTON, G. K.. Ortodoxia
  • CLAUSEWITZ, Carl von. Der Krieg
  • COLERIDGE, S. T. Biographia Literaria
  • EVOLA, Julius. Men Among the Ruins
  • GUDERIAN, Generaloberst Heinz. Panzer Leader
  • GUÉNON, René. The Crisis of the Modern World
  • JUNGER, Ernst. Storm of Steel
  • SCHMITT, Carl. Der Begriff des Politischen
  • SWIFT, Jonathan. Panfletos Satíricos

Fave music:

Syd Barrett's Pink Floyd, Cream & Clapton, King Crimson, Univers Zero, Heldon, Faust, Magma, Mahavishnu Orchestra, Miles Davis, Astor Piazzola, Frank Zappa, Marty Friedman, Al Di Meola, Jefferson Airplane, Led Zeppelin, Funkadelic, Allman Brothers, Blue Cheer, Beatles, U2, Chrome, Velvet Underground, The Stooges, John Cage, Villa-Lobos, Beethoven, Bartók, Stravinsky, Bach... & Coltrane, Coltrane, Coltrane, C-O-L-T-R-A-N-E-!

E SLAYER, PORRA.

Pleonasmo


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O Autor

O homem só será capaz de atingir sua racionalidade plenamente quando for capaz de despir-se de tudo o que lhe deveria ser abstruso, principalmente os adereços da ignorância e do preconceito.

Plus au sujet de moi: Vous la saurez en temps voulu... Ou peut-être vous ne saurez jamais... Qui sait? Ah, arquétipos: tropismo por mulheres de óculos.


"O casaco de Arabela Tá com bosta na lapela É bom, mas está borrado. Veio o inverno, veio o frio, O casaco ainda serviu, Borrado não é rasgado." Bertolt Brecht


Humor: Les couleurs du chat peuvent changer.