Toda terça-feira, há 5 anos, o físico Luiz Alberto Oliveira vem falar de filosofia aqui. É muito útil. Ninguém quer ser intelectual, mas a gente fica com uma idéia do planeta, que está lá no fim da galáxia, longe de tudo. Isso dá a você uma idéia melhor da precariedade do ser humano, que é um fodido. Nasce, morre, como outro bicho qualquer, então por isso mesmo ele deve ser mais modesto, não pensar que é importante. O sujeito que pensa que é importante é para mim um débil mental. -Oscar Niemeyer

sábado, setembro 11, 2004

11 de setembro:

2792 civis mortos nos EUA. 2004: até o momento, pelo menos 11000 civis mortos pela intervenção militar dos EUA no Iraque. Ambos os números nefastos e injustificáveis.

http://www.iraqbodycount.net/













Esta é a face da Pax Americana. A carnificina belial promovida pelo escalfúrnio neoliberal, o MOLOCH norte-americano, parece não ter fim.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Fulgurações luminares distantes e reverberações oníricas-transfinitas acerca de (...)



    Alvissaras!!! Recebi uma crítica sobre minha análise de "Vida de Galileu". Costumo dizer que receber elogios de pessoas elogiáveis reveste a este de inefável figura de autoridade, logo mais gabola ainda eu fiquei! Não saberia como agradecer por palavras tão generosas. É curioso receber um elogio como este, mesmo após ter cometido um deslize crasso no uso dos "porquês", no post "Piccinini" (já corrigido). Bem, eis a mensagem: ;)

"Mais uma vez me vejo vencida por seu tão absoluto domínio da língua pátria. Estou zonza e isto não se dá pelo sono acumulado de três dias ou pelo uso intermitente ou ocasional de drogas psicotrópicas, das quais tenho tão pouco conhecimento e contato tão distante que minhas confusões já geraram apelidos que vão de constrangedores a engraçados. Verborragia é pouco pra definir o que se passa no teu blog!

Brecht lido e interpretado daquele jeito, chega a gerar ciumeira entre meus amigos e certa inveja em mim. Confesso que sou daqueles que se deixam abosorver tão absolutamente por uma leitura, boa ou má - imersa em contrariedade para com aquele que me fez cair nas mãos um péssimo livro, ou fantasiando as maravilhas de um tempo em que se fez possível a criação de muito boas obras - , que ao fim de um livro apenas sou capaz de me deixar envolver pelo prazer de um tempo bem gasto e sorrir sozinha e silenciosa à beira de uma porta para o passado que apenas acabei de abrir.
Jamais sem seus bons olhos sobre um trecho tão deliciosamente despretencioso - a meus olhos encantados - teria sido eu capaz de enxergar tal resumo de uma situação política e social, profunda definidora de uma era de nossa História.
Parabéns pelo blog."



"Sobre leituras e livros": ler ou não ler



"(...) O que acontece na literatura não é diferente do que acontece na vida: para onde quer que nos dirijamos, imediatamente encontramos a incorrigível plebe da humanidade, que existe em toda parte como uma legião, que ocupa tudo e suja tudo, como moscas no verão. Daí a imensidão de livros ruins, essa erva daninha da literatura que se alastra, que retira a nutrição do trigo e o sufoca. Assim, eles usurpam o tempo, o dinheiro e a atenção do público a que, por lei, pertencem os bons livros e seus nobres objetivos, enquanto os livros ruins foram escritos com a única finalidade de gerar dinheiro ou propiciar emprego. Não são, portanto, apenas inúteis, mas positivamente daninhos. Nove décimos de toda nossa literatura atual não tem outra finalidade a não ser tirar alguns centavos do bolso do público: com este objetivo conspiram decididamente o autor, o editor e o crítico.

É um golpe baixo e mal intencionado, mas lucrativo, que os literatos, os autores que escrevem para ganhar o pão e os polígrafos, conseguiram dar contra o bom gosto e a verdadeira educação do século, levando o mundo elegante pela coleira, adestrando-o para ler a tempo, ou seja todos, sempre a mesma coisa, ou seja, o mais recente, para ter em seus círculos sobre o que conversar: para cumprir este objetivo servem os romances ruins e outras produções do tipo de penas outrora famosas como as de Spindler, Bulwer, Eugène Sue, e outros. O que pode ser mais miserável do que o destino de tal público literário que se acha obrigado a ler, a todo momento, as últimas publicações de cabeças absolutamente ordinárias, que escrevem apenas por dinheiro e que, por esta razão, existem sempre em grande número e conhecem apenas de nome as obras dos raros e superiores espíritos de todos os tempos e de todos os países! — Os jornais de literatura diários são, em especial, um meio habilmente inventado para roubar do público estético o tempo que este deveria dedicar às verdadeiras produções adequadas à sua formação e fazer com que este dedique seu tempo às improvisações cotidianas de cabeças ordinárias.

Como as pessoas lêem sempre, em vez do melhor de todos os tempos, o mais recente, os autores permanecem na esfera estreita das idéias circulantes, e o século se enterra cada vez mais profundamente nos seus próprios excrementos.

É por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Esta arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público, o tempo todo, como panfletos políticos ou literários, romances, poemas, etc., que fazem tanto barulho durante algum tempo, atingindo mesmo várias edições no seu primeiro e último ano de vida: deve-se pensar, ao contrário, que quem escreve para palhaços sempre encontra um grande público e consagre-se o tempo sempre muito reduzido de leitura unicamente às obras dos grandes espíritos de todos os tempos e de todos os países, que se destacam do resto da humanidade e que a voz da fama identifica. Só eles educam e ensinam realmente.

Os ruins nunca lemos de menos e os bons nunca relemos demais. Os livros ruins são veneno intelectual: eles estragam o espírito.
Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos."

SCHOPENHAUER, Arthur. In Über Lesen und Bücher. Parerga und Paralipomena (1851). Ed. Paraula (1993)
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    Schopenhauer acusava a filosofia de Hegel de palavrório vazio, charlatanice e falastrionismo; a rivalidade entre os dois é notória. Entretanto, observamos que Hegel tem importância decisiva para Karl Marx, Alexandre Kojève (recordo sua célebre "releitura" de Fenomenologia do Espírito), Antonio Gramsci (o 'marketing' gramsciano veio a cobrir uma das grandes lacunas da teoria marxista), entre outros. Bem, não é difícil entender que, em sua época, Schopenhauer e Hegel não poderiam ser considerados leituras "clássicas". Entretanto, a partir destas observações, podemos refinar as palavras de Schopenhauer com pelo menos duas formas que a invalidam: a) quando a crítica literária dá-se a um oponente de, notadamente, nível similar de intelecto - mais um exemplo seria a rivalidade entre Voltaire e Rousseau. b) quando determinada literatura é reconhecida por outras mentes de notável discernimento.

    Mas proponho fazermos uma leitura atual das palavras de Schopenhauer, escritas há mais de 150 anos; pois mesmo à luz passional do filósofo do pessimismo a importância da filosofia hegeliana não pode ser descartada, bem como não é meu interesse fazer do plano da vida pessoal de Schopenhauer um exemplo. Minha crítica tem por destino ao falastrionismo da auto-ajuda, do esoterismo, das literaturas de X-burguer, dos livros apelativos, dos tablóides, do ínvio "marketeirismo" (*); os verdugos da imbecilização coletiva. Para que exerçamos um espírito crítico sobre tudo aquilo que chega aos nossos olhos. Deveria eu ter mudado o titulo do tópico para "por que não ler Paulo Coelho", ou lembrar outros inomináveis não menos estróinos que costumam freqüentar o "top 10" das livrarias. Temos que aturar a maldição nefanda que recai sobre nossas cabeças através dos opróbrios baluartes da literatura acéfala. Louva-se o espírito de um Millor Fernandes, um Arnaldo Jabor (posso não concordar com o que ele diz, mas a maneira como ele manipula seu sarcasmo sempre me surpreende) ou um L.F. Veríssimo, exceções que prostituem suas palavras com muito denodo e sagacidade.

"O Ministério da Literatura e Saúde adverte: LER PAULO COELHO PODE CAUSAR RETARDAMENTO MENTAL."


(*) Não podemos deixar de fazer menção à inacreditável onda de oportunismo gerada em torno do sucesso de vendas de "O Código da Vinci" (que já não é grande coisa):

quinta-feira, setembro 02, 2004

Execução de "nepalenses" por milícias "iraquianas"



"Dubai - A Web site linked to an Iraqi militant group showed a video of what was purported to be the killing of 12 Nepalese workers by militants who had kidnapped them...The video showed a masked man in desert camouflage apparently slitting the throat of a blindfolded man lying on the ground. The blindfolded man moans and a shrill wheeze is heard, then the masked man displays the head to the camera before resting it on the decapitated body. Other footage showed an armed man firing single shots from an assault rifle at the back of the heads of 11 others. A statement on the website vowed to keep fighting the Americans in Iraq."

Assisti ao vídeo ontem à noite. Após uma busca por palavras-chave, encontrei em um site obscuro e esdrúxulo. Se é uma farsa ou não e quais são as milícias envolvidas, impossível afirmar, a guerra de informações é tão maior do que a guerra belicosa. Nestes casos, a dúvida é um imperativo. O que posso afirmar é que trata-se, provavelmente, da ação mais estarrecedora à qual já tive oportunidade de ver em toda a minha vida. Sào 4'15" de ignominiosas execuções, atos de inacreditável violência, extrema covardia e desumanidade. Degradante. Sou um curioso por natureza, pensei que teria sangue-frio para assistir ao tal vídeo, mas confesso que superestimei meu julgamento; até o presente momento as imagens ainda me perturbam.

Quem acompanha o andar dos acontecimentos percebe que está sendo revolvido um clima de Terceira Guerra Mundial, só não vê quem não quer. Resta esperar que não passe de um susto, que a humanidade acorde deste pesadelo; que a humanidade tenha misericórdia de si mesma. Essa insanidade precisa parar, bem como a besta neoliberal precisa parar de solapar a dignidade e soberania destes povos.

A quem desejar, entre em contato que eu repasso o link. Aviso: menores de 18 anos, pessoas sensíveis, cardíacas, não é recomendado assistir. Vou além: não vale a pena. Proporcionou-me refletir sobre muita coisa, mas eu me arrependi de ter visto.

A quem chamamos terroristas?



    Há cerca de alguns posts, usei de um recurso ficcional para aduzir que, ao contrário de uma manifestação retrógrada, de povos atrasados ou "medievos", a Jihad islâmica de nossos tempos seria um subproduto moderno do neoliberalismo, da globalização, da exploração bélico-imperialista norte-americana e européia, uma resposta às mendazes pretensões da chamada Pax americana. Retomo o tema, mas desta feita atendo-me ao historicismo, para efetuar uma mudança de enfoque sobre aqueles que vêm apresentando-se com lábaros de terrorismo no transcurso da história. O terrorismo não está de um lado apenas.

    Antes de mais nada, precisamos ter uma definição clara e concisa do que é terrorismo.
Terrorismo: modo de coagir, combater ou ameaçar pelo uso sistemático do terror. (Dicionário Aurélio).
Terror: horror, pavor, medo, pânico. (Melhoramentos, dicionário de sinônimos).

    Agora vejamos o que o Congresso norte-americano tem a dizer sobre o terrorismo:
"Um ato de terrorismo quer dizer qualquer atividade que: a) envolva um ato violento ou uma séria ameaça à vida humana que seja considerado delito pelos Estados Unidos ou por qualquer outro Estado; ou que seja delito assim reconhecido, se praticado dentro do território jurisdicional norte-americano ou de qualquer outro Estado; b) (i) aparente ser uma intimidação ou coerção à população civil; (ii) influencie a política governamental por meio de intimidação ou coerção; (iii) ou ameace a conduta de um governo por assassinato ou seqüestro". (United States Code Congressional and Administrative News).

    Observando principalmente o que diz o ítem "b", convido-vos a refletir: o que têm feito países da Europa, notadamente potências da Europa Ocidental nestes últimos 500 anos? O que tem feito os Estados Unidos da América desde fins do século XIX, quando apoderou-se de Cuba, Porto Rico, Filipinas, grande parte do México, ou principalmente uma nefanda invasão como o foi, não há muito tempo, na Nicarágua? O que dizer de quem, muito antes, dizimou suas próprias populações autóctones, os índios? O que faz quando apóia ditaduras, assassinatos políticos, dissemina e financia guerrilhas e partisans na África, Ásia e América Central? O que faz quando impõe ao governo paquistanês que cesse a cedência de recursos para subsistência da população civil afegã -- que culpa nenhuma tinha pelo regime Talibã --, promovendo a morte de um número incalculável de civis afegãos por doenças e inanição? Tudo isso sem que precisemos nos lembrar dos horrores no Vietnã. Pior ainda é constatar que a invervenção "humanitarista" dos EUA, quando ocorre nos países em crise, dá-se quando este possui vastas e generosas bacias de petróleo.

    Não será possível dizer que os EUA se autoproclamam uma nação terrorista? Não será possível dizer que esta nação, da qual sou filho, tem promovido a intimidação e coerção à população civil em inúmeros países do Terceiro mundo; influenciado a política governamental por meio de intimidação ou coerção, como são os embargos econômicos e políticos; ou ainda ameaçado a conduta de governos através de assassinatos ou seqüestros, como insurgem as ações da CIA e suas milícias? Que monstros esse terrorismo tem gerado!!

"Há algo de podre no reino da Dinamarca".


(continua...)

Books

  • CHESTERTON, G. K.. Ortodoxia
  • CLAUSEWITZ, Carl von. Der Krieg
  • COLERIDGE, S. T. Biographia Literaria
  • EVOLA, Julius. Men Among the Ruins
  • GUDERIAN, Generaloberst Heinz. Panzer Leader
  • GUÉNON, René. The Crisis of the Modern World
  • JUNGER, Ernst. Storm of Steel
  • SCHMITT, Carl. Der Begriff des Politischen
  • SWIFT, Jonathan. Panfletos Satíricos

Fave music:

Syd Barrett's Pink Floyd, Cream & Clapton, King Crimson, Univers Zero, Heldon, Faust, Magma, Mahavishnu Orchestra, Miles Davis, Astor Piazzola, Frank Zappa, Marty Friedman, Al Di Meola, Jefferson Airplane, Led Zeppelin, Funkadelic, Allman Brothers, Blue Cheer, Beatles, U2, Chrome, Velvet Underground, The Stooges, John Cage, Villa-Lobos, Beethoven, Bartók, Stravinsky, Bach... & Coltrane, Coltrane, Coltrane, C-O-L-T-R-A-N-E-!

E SLAYER, PORRA.

Pleonasmo


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O Autor

O homem só será capaz de atingir sua racionalidade plenamente quando for capaz de despir-se de tudo o que lhe deveria ser abstruso, principalmente os adereços da ignorância e do preconceito.

Plus au sujet de moi: Vous la saurez en temps voulu... Ou peut-être vous ne saurez jamais... Qui sait? Ah, arquétipos: tropismo por mulheres de óculos.


"O casaco de Arabela Tá com bosta na lapela É bom, mas está borrado. Veio o inverno, veio o frio, O casaco ainda serviu, Borrado não é rasgado." Bertolt Brecht


Humor: Les couleurs du chat peuvent changer.