Toda terça-feira, há 5 anos, o físico Luiz Alberto Oliveira vem falar de filosofia aqui. É muito útil. Ninguém quer ser intelectual, mas a gente fica com uma idéia do planeta, que está lá no fim da galáxia, longe de tudo. Isso dá a você uma idéia melhor da precariedade do ser humano, que é um fodido. Nasce, morre, como outro bicho qualquer, então por isso mesmo ele deve ser mais modesto, não pensar que é importante. O sujeito que pensa que é importante é para mim um débil mental. -Oscar Niemeyer

segunda-feira, novembro 30, 2009

A Arte da Guerra (Der Krieg), Parte 1



Otto Dix (1891-1969)


Otto Dix, alemão nascido em Gera, Turíngia, em 1891, e combatente da Primeira Guerra Mundial, retrata a guerra em uma série de telas das mais contundentes já realizadas sobre o tema. A guerra  foi temática dominante na sua pintura entre o período que vai de 1920 até 1934, aproximadamente, quando, por conta da ascensão do nacional-socialismo, foi forçado a deixar de lado a temática política e anti-belicista de suas telas, dedicando-se principalmente a pintar paisagens. Esse cenário veio a reboque da criação da Câmara de Cultura do Reich, em 1933, cujo efeito e apreciação encontram força nas diretrizes do chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels: "A fim de levar a cabo uma política de cultura alemã, é preciso unir os artistas de todas as esferas numa organização coesa sob a direção do Reich. O Reich deve não somente determinar as linhas do progresso mental e espiritual, mas também orientar e organizar as profissões". (1) De toda sorte, ou sorte nenhuma, tal qual o destino de toda e qualquer obra literária num Fahrenheit 451 (obliteração full mode on, irmãos!), inúmeras telas  de Dix foram destruídas durante o regime nazista.

Com justiça, Dix é considerado, assim como Georg Grosz, um dos cânones do expressionismo alemão, e também um dos maiores expoentes da Neue Sachlichkeit (Nova Objetividade), ou pós-expressionismo, movimento de sentido diverso do expressionismo, de contorno realista, sóbrio, mas também utilizado para a crítica social. Em Der Krieg, conjurando um pesadelo de sombras, contrastes, decadência e fantasmagoria agonizante, Dix retrata paisagens retorcidas, sofrimento e horror dos corpos mutilados pela guerra, exorcizando a experiência  interior num substrato onírico-dantesco, consoante sói assinalar Lotte Eisner, crítica de arte, "o expressionista já não vê, mas tem visões"Quarenta anos após a sua morte, eis uma singela homenagem ao bellum artifix magno. Imagens da guerra, em visões de Otto Dix.

(1) SHIRER, William L. Ascensão e Queda do III Reich, V. 1. Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 327.



Der Krieg - The War - porfolio

I did not paint war pictures in order to prevent war. I would never have been so arrogant. I painted them to exorcise the experience of war. All art is about exorcism.


'Nachtliche Begegnung mit einem Irrsinnigen [Night-time encounter with a madman]' 1924




Verwundeter (Herbst 1916, Bapaume) [Wounded soldier – Autumn 1916]




Sturmtruppe geht unter Gas vor [Stormtroops advancing under gas]' 1924 



Soldatengrab zwischen den Linien [Soldier's grave between the lines]



Mahlzeit in der Sappe (Lorettohohe) [Mealtime in the trenches - The Loretto Hills], 



Toter Sappenposten [Dead sentry in the trenches]




Totentanz anno 17 (Hohe Toter Mann) [Dance of death 1917 - Dead Man's Hill]




Granattrichter mit Blumen (Fruhling 1916) [Bomb-crater with flowers - Spring 1916]




Drahtverhau vor dem Kampfgraben [Barbed wire in front of the trenches]



Matrosen in Antwerpen [Sailors in Antwerp]




Lens wird mit Bomben belegt [Lens being bombed]




Durch Fliegerbomben zerstortes Haus (Tournai) [House destroyed by aircraft bombs - Tournai]


Toter (St. Clement) [Dead man - St Clement]




Verwundetentransport im Houthulster Wald [Transporting the wounded in Houthulster Forest]




Soldat und Nonne (Vergewaltigung) [Soldier raping a nun]




Zerfallender Kampfgraben [Collapsed trenches]

sábado, novembro 28, 2009

A Origem do Crime



HAIL, MY BROTHERS!!!!!!!!!! De volta, e sem perder tempo, sim'bora com um excelente artigo de Adriano Benayon, diplomata de carreira, professor da UnB e um dos MASTERMINDS do PRONA (e REMEMBÁ ENÉAS, PORRA!!!!!!):






Costuma-se ignorar a relação entre a estrutura econômica e a violência. Assim, tratam a segurança pública com o mesmo primarismo aplicado às demais questões. A criminalidade cresce, enquanto o sistema de poder, controlado do exterior, esconde a fonte dela. Os concentradores não abrem mão de espoliar o País, e a repressão não evita a intensificação da insegurança.


Luís Nassif reportou levantamentos da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que mostraram elevada correlação (acima de 0,8) entre a queda da renda e o incremento do número de crimes violentos, de 2001 a 2003.
Ele salientou ser essa apenas a parte visível da correlação. A mais tenebrosa seria o avanço do crime organizado: "Quando começou o grande nó no modelo econômico, com a política de juros de 1995, seguida do aumento brutal da carga tributária (para pagar juros), milhares de pequenas e médias empresas deixaram de recolher impostos. O primeiro passo foi a inadimplência. Ao deixar de pagar impostos, mas continuando na formalidade, esses empresários foram alvo de fiscalização intensa. Passaram a se abastecer de mercadorias ilegais, desde cargas roubadas a produtos falsificados. Os empresários que se mantiveram na legalidade se viram sem condições de competir".
De forma simplista, Nassif dizia haver uma só razão disso: a abertura cambial com câmbio apreciado. Há fatores mais importantes: o controle monopolista das transnacionais, as transferências ao exterior, os impostos e os juros absurdos. De resto, o declínio econômico vinha de antes, embora se tenha acelerado na fatídica Era FHC.
Ademais dos conflitos nas periferias dos grandes centros urbanos, há os do campo. Avança célere a violência com a expansão da cana-de-açúcar para atender o mercado mundial de energia sob o controle tradings estrangeiras.
Eis o que informa Amaury Ribeiro Jr.: “A febre da cana-de-açúcar está transformando municípios do Triângulo Mineiro em abrigos de bandidos e miseráveis. Impulsionados por interesses do governo dos EUA no etanol brasileiro, usineiros alagoanos e paulistas passaram a disputar, palmo a palmo, cada pedaço de terra da região. Em menos de quatro anos, 300 mil hectares de cana-de-açúcar foram plantados em antigas áreas de pastagens e de agricultura. Assaltos a mão armada, assassinatos em série, tráfico de drogas e comércio de crianças e adolescentes passaram a fazer parte da rotina. Atraídos por intermediários, mais de 20 mil bóias frias do Nordeste deslocam-se ao Triângulo Mineiro e ao Alto Paranaíba. Entre eles se infiltram traficantes, assaltantes, proxenetas e aliciadores de menores.”


Se outro fosse o modelo econômico, o Nordeste não exportaria mão-de-obra nessas condições. Como apontam peritos competentes, a natureza oferece, no semi-árido, recursos naturais inestimáveis, e a escassez de água não seria real, se não fosse manipulada por concentradores.


Conforme demonstrei no artigo sobre a biomassa – e isto vale também para os recursos do Nordeste – aquela e estes podem ser a base de grandiosa prosperidade para dezenas de milhões de brasileiros, desde que o Estado organize a estrutura produtiva e comercial de modo a suscitar o acesso aos mercados de numerosos produtores, cooperativas e empresas.


São facilmente suportáveis os custos em que deveriam incorrer a União e as unidades federativas locais no necessário apoio técnico e financeiro a essa democratização econômica e social, viabilizando empresas descentralizadas e voltadas para mercados regionais. É, na verdade, abissal a diferença qualitativa entre esses investimentos e os realizados sob a estrutura concentradora, visando a exportar a produção e a transferir para o exterior a virtual totalidade de seus ganhos e os de sua comercialização, sob controle de capitais estrangeiros que gradualmente engolem até mesmo as empresas de capital nacional a eles associados.


Veja-se a seguir benefícios daquela opção, em contraste com esta.
1) a produtividade é grandemente favorecida por estarem os produtores sujeitos a real concorrência, ao contrário da “concorrência imperfeita”, na qual os oligopólios e cartéis alijam concorrentes, controlam as preferências dos consumidores e os espoliam, cobrando os preços máximos tolerados.


2) Os consumidores ganham renda real ao receber a maior parte dos benefícios da elevação da produtividade, via preços mais baixos.


3) Há espaço para o desenvolvimento de novas tecnologias, ao invés do que se dá com as transnacionais dominando o mercado, pois estas usam a tecnologia, já amortizada no exterior, de suas matrizes, as quais se aproveitam do monopólio tecnológico para auferir preços abusivos nos insumos importados por suas subsidiárias no País.


4) Geram-se empregos em número crescente a cada ano, em função de serem os ganhos investidos, em parte substancial, para elevar a produção e/ou a produtividade. Já sob o modelo concentrador, controlado pelas transnacionais, o grosso dos ganhos vai para o exterior, de tal sorte que a criação de um emprego, ao se instalarem no País, implica a perda de dez e mais empregos, ao longo de alguns anos após esse evento.


O sistema de poder mundial faz eleger os principais mandatários políticos no País e intensifica o modelo concentrador, por meio das políticas fiscal (impostos e aplicação das receitas no Orçamento público), monetária (moeda, crédito e juros), comercial e cambial. Todas favorecem os concentradores financeiros, industriais e comerciais, em detrimento dos assalariados, autônomos e profissionais liberais, bem como das empresas de capital nacional.


Essa política não é liberal nem neoliberal. É muito pior que isso, pois ela intervém na economia, contra a sociedade e a favor das transnacionais e de outros grupos que desviam para o exterior os fabulosos recursos naturais do País e o valor agregado em sua transformação.


Em apoio ao megacrime continuado, o sistema de poder serve-se da mídia – por ele controlada – para esconder os problemas reais. Como observou o jornalista J. Carlos de Assis: “Há dois níveis de manipulação da opinião pública pelos meios de comunicação. O primeiro consiste em omitir os problemas. O segundo, em admitir que eles existem, mas têm solução mágica. É nesse nível que se encaixa a ‘reportagem’ do ‘Fantástico’ sobre o desemprego entre os jovens.”


Assis considera, com razão, um insulto à inteligência e ao sentimento dos desempregados apresentar o desemprego como resultado da má preparação dos jovens. A mensagem subliminar é implicar que os jovens obterão emprego, se se qualificarem.


Na realidade, ao contrário, o desemprego atinge de forma tão dura os não-qualificados, como os altamente qualificados. Além disso, boa parte destes sai das estatísticas do desemprego, emigrando, para ser, na maioria dos casos, explorada no exterior em ocupações inferiores a seu grau de preparo.


Não se trata só do êxodo de pesquisadores e profissionais de escol, mas também de apreciável massa de quadros médios e superiores. Em ambos casos, o que o Brasil investe em educação e formação aproveita a economias de outros países, na maioria, “desenvolvidos”.


Os que permanecem no Brasil e se mantêm ativos no mercado de trabalho são submetidos a condições insuportáveis e a salários insuficientes. Mesmo que desenvolvam tecnologia, não encontram mercado para ela, que tem de ser abandonada ou apropriada por empresas transnacionais estrangeiras.


Mais de 10% da força de trabalho está desempregada, e o subemprego atinge 25 a 30%. Na faixa de 15 a 24 anos de idade, 27% não estudam nem trabalham. Nesse “mercado de trabalho”, assalariados, autônomos e profissionais, de todos os níveis de qualificação, sofrem permanente ameaça de desemprego.


Pesa, ademais, sobre essas pessoas e as empresas nacionais a carga dos tributos, discriminatória, enquanto que as transnacionais, as exportações e as importações são subsidiadas, em desfavor das empresas nacionais e do mercado interno, onde os bens e serviços são fortemente onerados.


Arcando com os efeitos combinados da inadequada remuneração, dos elevados preços dos bens e serviços, dos juros e dos impostos, a quase totalidade da população vive sob estresse e não tem como poupar para se precaver da eventual perda de seus rendimentos.


O controle oligopolista do mercado limita as oportunidades de emprego e inibe a demanda por bens e serviços, cujos preços administra. Os juros e impostos provêm do modelo dependente, causador da dívida pública. As taxas de juros mais altas do Mundo não têm relação com os fundamentos econômicos, nem sequer com o “mercado”.


Impostas pela política econômica comandada por grupos financeiros, via Banco Central, essas taxas fazem com que: 1) o poder público gaste em juros metade das receitas tributárias; 2) assalariados, autônomos, produtores rurais e empresas pequenas e médias de capital nacional queimem em despesas de juros a renda que lhes possa restar sob a estrutura econômica descrita e após o pagamento dos tributos.


A essas inqualificáveis agruras juntam-se os danos decorrentes da criminalidade, estimulada por uma ordem social em que está implícito um teor de injustiça de magnitude absurda. É notável que a delinqüência não seja maior, pois, na maior parte do tempo e dos casos, a oferta das indústrias de brinquedos e do entretenimento, entre outras, induzem ao esmagamento da cultura e à substituição dos valores éticos pela falta de caráter.


Programas interativos humilhantes, com telefonemas que custam caro aos telespectadores, novelas que promovem a falta de decência, tudo isso é difundido por TVs. As mesmas que, nos noticiários e comentários políticos, afetam pretensa moralidade. Esta fustiga seletivamente políticos cujos deslizes são levantados por revistas de opinião ligadas ao poder mundial.


Em suma, a mídia põe o foco sobre a corrupção de varejo, como a ligada a licitações na administração pública, enquanto oculta a megacorrupção: a que está na base das perversidades socioeconômicas resumidas acima, ademais de outras, como as privatizações graciosas de estatais dotadas de incomensuráveis recursos e ativos, os leilões de áreas de petróleo etc.


A exposição da corrupção de varejo serve para abaixar a auto-estima dos brasileiros, principalmente minando-lhes a confiança em fazer parte de uma nação digna e viável. Isso contribui para aceitar que o Brasil seja dirigido do exterior, por estrangeiros, ignorando os desinformados os malefícios para o País, em todos os aspectos, dessa dominação.


A queda da auto-estima nacional é impulsionada pela crença em que os eleitos para os cargos públicos representem as características da sociedade. Tal crença é infundada, porquanto, sob a atual estrutura econômica e as condições políticas criadas por esta, somente emergem ao primeiro plano da política os associados à supremacia das transnacionais, ou, no mínimo, os tolerantes em relação a ela.


Nessa estrutura, os políticos, quase sempre, dependem de recursos dos grupos concentradores e/ou de dinheiro desviado de verbas públicas. Via de regra, não são expostos os pertencentes ao primeiro conjunto, e, dentre os formadores do segundo, são apontados como corruptos só os que não participam do primeiro.


* - Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, lançado pela editora Escrituras.


Diplomata de carreira, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e, depois, do Senado Federal, na Área de Economia, aprovado em 1º lugar em ambos concursos.





Doutor em Economia pela Universidade de Hamburgo e Advogado, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi Professor da Universidade de Brasília e do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. Membro da Comissão Executiva Nacional do PRONA e Vice-Presidente do Instituto do Sol, entidade voltada para o fomento do uso da energia limpa e renovável da biomassa em lugar dos derivados do petróleo.


Benayon é um cara tr0000. Além disso, já comprou briga com o MESTRE.

quinta-feira, setembro 17, 2009

George Washington's Farewell Address (1796)



So likewise a passionate attachment of one Nation for another produces a variety of evils. — Sympathy for the favorite nation, facilitating the illusion of an imaginary common interest in cases where no real common interest exists and infusing into one the enmities of the other, betrays the former into a participation in the quarrels and wars of the latter, without adequate inducement or justification. It leads also to concessions to the favorite Nation of privileges denied to others, which is apt doubly to injure the Nation making the concessions; by unnecessarily parting with what ought to have been retained and by exciting jealousy, ill-will, and a disposition to retaliate, in the parties from whom equal privileges are withheld. And it gives to ambitious, corrupted, or deluded citizens (who devote themselves to the favorite Nation) facility to betray or sacrifice the interests of their own country without odium, sometimes even with popularity: — gilding, with the appearances of a virtuous sense of obligation, a commendable deference for public opinion, or a laudable zeal for public good, the base or foolish compliances of ambition, corruption, or infatuation. - WASHINGTON, GEORGE. Farewell Address. 1796.

Ora, ora! Veja só, caro leitor, quão incôngruos são os percalços da história. Nesse parágrafo, e com cerca de 150 anos de antecipação!! (com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos), Sir George Washington IMPLODE o ominoso lobby sionista que a política externa norte-americana vem desenvolvendo desde 1948. E mais, diante d'uma tal revelação, as autoridades norte-americanas jamais sequer poderiam ter a desfaçatez de invocar a autoridade moral dos Founding Fathers  

baXANA aqui:
http://www.access.gpo.gov/congress/senate/farewell/sd106-21.pdf

sábado, junho 13, 2009

Operação "Cast Lead" (Chumbo Grosso) - Israel multado?

O Chefe das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou que considera multar Israel pelos ataques a instalações das Nações Unidas ocorrida durante carnificina na Faixa de Gaza em dezembro de 2008. Três semanas seguidas de ataques aéreos e incursões por terra deixaram aproximadamente 1.350 palestinos mortos -- dos quais pelo menos 1.100 eram civis -- e ainda cerca de 5.450 pessoas feridas.

Tel-aviv empreendeu uma operação de guerra plena em Gaza em 27 de dezembro do ano passado. Durante a carnificina, as forças israelenses atacaram três escolas mantidas pela ONU na Faixa de Gaza, matando pelo menos 45 civis. A maior parte das vítimas havia se refugiado nos prédios para escapar da chuva de fogo israelita. (N.E. literalmente, pois tratavam-se de 'flesh eating bombs', bombas de fósforo, o que é uma grave violação à Convenção de Genebra).

Soldados israelenses também abriram fogo contra um comboio da agência de socorro da ONU durante um cessar-fogo de três horas.

Em uma conferência de imprensa em Nova Iorque, Ban declarou que a multa de 11 milhões de dólares foi recomendada por um comitê eleito para investigar os danos provocados por Israel a estruturas das ONU durante a operação Cast Lead. (N.E.: só a tradução já seria um ato de violência, algo do tipo "Operação Chumbo Grosso", pqp)

A decisão do Secretário-Geral Ban em multar Israel por danos às edificações da ONU vêm enquanto a perda de mais de mil pessoas na Faixa de Gaza permanece irreparável.

A missão de quinze Estados-membros chefiada pelo jurista judaico Sul-Africano Richard Goldstone entrou na empobrecida faixa no início de junho para lançar uma investigação sobre alegados crimes de Israel na região.

Israel, no entanto, envidou todos os esforços para barrar o inquérito da ONU. A delegação de Goldstone teve reiteradamente negado o visto na Faixa de Gaza, em um movimento rotulado como "decepcionante" por oficiais da ONU.

Israel tem se recusado sistematicamente a cooperar com qualquer investigação. Rejeitou o Tribunal Penal Internacional (TPI) e não está cooperando com a missão de estudos do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas em Gaza.

Traduzido do original: http://www.presstv.com/detail.aspx?id=97895&sectionid=351020202
MT/MMN - Fri, 12 Jun 2009 13:15:52 GMT


A ONU esbarra na aporia da autoridade descentralizada sem poder coercitivo. Vide, por exemplo, o episódio da invasão no Iraque, a ONU só tem utilidade, mesmo que por omissão, quando convém sufragar os interesses do terrorismo de estado provocado por EUA e Israel, do contrário, basta 'unca' Sam clicar em 'ignore' ou acionar o artigo 27 e a ONU é figura mais figurativa do que a Rainha da Inglaterra num chá das seis.

Essa multa é 'conversa pra boi dormir': Israel não paga, acontece o quê? O máximo que poderá acontecer será o sul-coreano que dirige a ONU rasgar a tanga e ter um chilique, enquanto folheia uma 'G magazine' com o Seedorf na capa enquanto espera a próxima edição.

In somma: enxovalharam instalações da ONU na Faixa de Gaza e, quiçá para 'amansar' a opinião pública, uma vez que EUA e Israel demonstradamente estão CAGANDO E ANDANDO para o que a ONU pensa ou deixa de pensar, abre-se a possibilidade de uma retaliação: uma multa que, se calhar, não vai dar em nada, e é tão meramente mais um aspecto risível diante do GENOCÍDIO que o Estado terrorista de Israel tem levado a cabo na região, promovendo o "novo Holocausto" contra o qual nada é feito.

quinta-feira, maio 29, 2008

Peter Brötzmann Trio: Brötzmann-Pliakas-Wertmueller





Trio de jazz se apresenta pela primeira vez no Brasil

Show
5 de junho, às 20h
Goethe-Institut Porto Alegre
Entrada franca
Distribuição de senhas a partir das 19h
+55 51 32227832
programm@portoalegre.goethe.org

Com quarenta anos de carreira e mais de 100 álbuns lançados, Peter Brötzmann é um dos fundadores europeus do movimento conhecido como Free Jazz.

O Free Jazz nasceu "oficialmente" com o famoso disco de 1960 (intitulado precisamente “Free Jazz”), onde se ouve o quarteto duplo liderado por Ornette Coleman (sax alto) e Eric Dolphy (clarinete-baixo). Na Alemanha, Peter Brötzmann - um jovem artista plástico e saxofonista, amante da revolução no jazz americano - iniciou o movimento com outros pioneiros da vanguarda do jazz europeu. Em maio de 1968, em octeto, gravou em Bremen a obra pioneira batizada de “Machine Gun”, um disco radical que deixou sua marca no Free Jazz europeu.

Hoje, Peter Brötzmann é considerado um dos mais influentes inovadores do jazz. O trabalho de Brötzmann inclui colaborações e gravações com o grupo Last Exit (Bill Laswell, Sonny Sharrock e Ronald Shannon Jackson), Evan Parker, Misha Mengelberg e Borah Bergman, entre outros.

Em seu atual trabalho, Brötzmann se associa ao baixista Marino Pliakas (Suíça) e ao baterista Michael Wertmueller. O trio realiza uma turnê mundial, participando de diversos festivais de jazz.


Links relacionados:

www.underworldmag.org

Programação sujeita a alterações
Confirmação de horários e eventos: tel. +55 51 32227832

fonte:
http://www.goethe.de/ins/br/poa/pt3399130v.htm








pqp, Peter 'bronhamann', kreator MÁSTA ov des MÁSTAS do free jazz europeu, ARCANO avantgarde :reza:, prolífico explorador dos insondáveis desígnios da música experimental, noise rock, CHAOS etc, will arrive delivering spaced-out ousadia e obliteração psicossônica assault as weapons of mass destruction FULL MODE ON em apresentação única e imperdível no Goethe Institut Porto Alegre


VELAI E PERSEVERAI NA ÍNCLITA FÉ DOS ELEITOS, vai na fé, na fé :av: :av: :av: :empolgation_mode_on: :reza:


em tempo:

Show 'de grátis'?? quem perder é mulher do padre, emo, torcedor do bambiFC ou tá a fim d'um threesome com peter north e lexington steele mas não sabe como pedir

sábado, novembro 24, 2007

Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O.: Live at The Old Blue Last / Nov. 2007







TAKJLLPARJL, show na íntegra, quase 80 minutos de Kawabata Makoto & cia. em 'crazeeee' unearthly psycho-supersonic-'alopration' phantasmagoria FULL MODE ON, or AMT meets dá ELEKTRIC JESVS-FAD YOD inn dá land ov COZMIK PATAPHYSICHAL MUSHROOMS, from dá VOID OV NOTHINGNESS with MAJIK FÁIA & BEYOND

terça-feira, agosto 30, 2005

Kafka: O Veredito / Na Colônia Penal



Trazemos à lume algumas recensões, feitas há algum tempo e só não publicadas anteriormente por não estarem suficientemente boas, ou talvez, por estarem ainda demasiadamente ridículas: O Veredito e Na Colônia Penal, duas obras bastante diversas, ainda que interligadas por tênues linhas, oriundas da pena surpreendente e genial de Franz Kafka. Kafka parece padecer pesadamente de seu drama pessoal, familiar - o frustrante relacionamento com o pai, autoridade -, da extrema miserabilidade de sua Judengassen, um dos guetos mais antigos de toda a Europa, o qual Gustav Meyrink (ver O Golem) descrevia como um "mundo subterrâneo demoníaco", ainda, de seu paradoxal sentimento de autorepulsa, de sua 'desidentidade' enquanto judeu nascido tcheco, falando alemão, mas que segundo Mairowitz (1), não era nem uma coisa nem outra, e também do momento histórico, político e social pelo qual atravessava a Europa. Viver na Praga nacionalista daqueles dias, para um judeu, convivendo com a miserabilidade e a ameaça do anti-semitismo, não poderia ser uma experiência agradável. "O que tenho em comum com os judeus? Eu nem tenho nada em comum comigo mesmo!" Conforme comentado alhures, aquilo que Weber chamaria de racionalização ou desencantamento do mundo parece perseguir o autor. <- reescrever esse parágrafo



Camus dizia que "toda arte de Kafka consiste em obrigar o leitor a reler" (2). Kafka é um dos expoentes mais impressionantes do expressionismo (!) e do simbolismo. Indeed, o simbolismo permite tantas interpretações quantas formos capazes de fazer -- daí a necessidade da releitura. O símbolo ultrapassa a dimensão da própria palavra, do léxico e da semântica, podendo ser uma idéia e várias ao mesmo tempo, a própria dimensão do imaginário. Kafka não permite interpretação literal, e tentar interpretá-lo, por fim, é verdadeira aporia. O que se faz aqui, então? Em determinado momento ficaremos em dúvida se aquele com quem o personagem principal troca tantas correspondências em O Veredicto realmente existe. Os personagens parecem desconhecer, ou mesmo, ser completamente incapazes de dominar os acontecimentos que lhes dizem respeito. O Deus de Kafka é inalcançável. Joseph K. acorda certa manhã, acusado por um crime que ele nunca cometeu e sequer sabe qual foi. E a perplexidade fica por conta da reação do personagem: para ele, o que acontece parece absolutamente natural - o mesmo ocorre com Gregor Samsa, sua condição 'periplanetal' o preocupa menos do que, por exemplo, o seu trabalho e a miserabilidade de sua família. Desta forma, seus personagens, resignados, demonstram a submissão ao cotidiano, por mais irracional que este pareça, em uma dimensão onírica da realidade. Sua linguagem simbólica faz com que qualquer de suas tramas possam passar de forma inacreditavelmente natural aos acontecimentos mais bizarros, transita com perfeição nas sendas da ambiguidade, entre o natural e o extraordinário, o lógico e o absurdo. Em Kafka, o lógico conduz ao absurdo; ainda segundo Camus, "seu segredo é encontrar o ponto exato em que eles se encontram, em sua maior desproporção". Kafka? Genial, GENIAL!! :stoned: :stoned:


(1) MAIROVITZ, D. Z., CRUMB, Robert. Kafka. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2006.
(2) CAMUS, Albert. A Esperança e o Absurdo na obra de Franz Kafka In: O Mito de Sísifo. Rio de Janeiro: Record, 2004

O texto de Kafka é direto, minucioso, mas sem floreios; poder-se-ia dizer "uma escrita dolorida, não necessariamente primando pelo caráter estético" (deixemos isto para um Paul Valéry, Balzac ou Joyce), digamos antes, uma escrita calcada na dor e no humor kafkiano. Entretanto, seu caráter simbólico torna também impossível uma interpretação detalhada de Kafka. Em O Veredicto, temos uma novela realista, de tessitura tensa e dramática -- com uma riqueza de detalhes capaz de tornar os delírios da ficção em algo plausível e até verossímil --, que conduz até o final o clima de dúvida e desconfiança que paira entre os personagens, com um desfecho surpreendente, terrível. Já em Na Colônia Penal, encontramos mesmo a literatura fantástica, marcada pelo macabro, pelo obscuro, onde uma máquina de execução, ominosa, parece criar vida própria para ceifar a vida daqueles que a ela são, em agonia, submetidos. Em contrapartida, o ser humano aparece brutal e engenhosamente representado na figura daquele que é, da máquina belial, o operador, zeloso responsável por sua manutenção, o oficial, o estado/deus-ex-machina.


Observam-se verdadeiros tratados sobre a natureza do ser humano e sua existência - portanto, de enorme pronfundidade filosofófica -, englobando abordagens psicánalíticas, sociológicas, dentre silogismos diversos, mas principalmente, uma defesa da própria condição de humanidade, um libelo à "humanização" da sociedade. A necessidade de se colocar os valores morais acima dos valores políticos, de elevar a condição do homem como um fim em si mesmo, acima de qualquer outro.


O Veredito

Personagens: Georg Bendemann, seu pai, Frieda Brandenfeld
Autor: Franz Kafka
Escrito em 1912
Tradução: Modesto Carone
Editora: Companhia das Letras

Esta é uma surpreendente novela, onde Georg Bendemann, personagem central, aparece envolvido em um irreconciliável dilema: anunciar ou não o seu noivado para um amigo distante, há muitos anos refugiado na Rússia. Georg dispende enorme esforco imaginando qual série de desventuras este amigo teria supostamente passado durante o longo período de distanciamento, dentre inúmeras correspondências enviadas e nunca respondidas; tentando ainda encontrar uma forma adequada, ou ao menos não dolorosa de comunicar a seu infortunado amigo uma grande alegria, o seu noivado. Georg cria tal fantasia em torno deste amigo que a grande dúvida que irá pairar sobre o texto, até o final, é se este amigo realmente existiria ou se seria invenção sua. Georg aparenta estar tão preocupado com a reação do amigo, envolve-se de tal forma em suposições e preocupações formais, frutos de sua imaginação, que o amigo “real” adquire um caráter mítico - na sua cabeça - e quase esquizofrênico, ao menos para o leitor. Em determinado momento, o pai do personagem irá enquirir: “Georg, você tem realmente este amigo?”.

A mãe do personagem já é falecida, mas o pai, durante a narrativa é descrito como uma figura bipolar: ora frágil, ora de uma força descomunal, mas sem deixar de aparecer como uma figura manipuladora. O pai parece, quase sempre, o estar julgando. É no derradeiro diálogo com o pai que surgirá a verdade -- o veredicto, que em uma análise minuciosa pode ser aduzida também do próprio título da obra --, onde este finalmente urde toda a verdade: a traição de Georg para com o amigo, culminada em seu noivado. Eis então que a preocupação em torno da notificação de noivado para o amigo adquire, ao menos a meu juízo, um caráter de sentimento de culpa. E é aquela figura paterna que faz a acusação, é o pai que julga e profere a sentença, com tanta força e veemência que encontrará em Georg o próprio executor: este atira-se de uma ponte, suicida. Mas não sem antes, em voz baixa, dizer aos pais que os amava. Kafka parece EXALTAR uma solução drástica para livrar seu personagem da figura opressora do pai: a morte como evasão, reveladora de suas próprias idiossincrasias. Todavia, parece mesmo que Kafka/Georg nunca se suicida: é sempre condenado à morte.


Na Colônia Penal

Personagens: “o oficial”, “o explorador”, “o condenado”
Autor: Franz Kafka
Escrito em 1914
Tradução: Modesto Carone
Editora: Companhia das Letras

Em Na Colônia Penal, a história afasta-se de um drama meramente familiar e adquire cunho político, onde destacam-se figuras de autoritarismo e poder, a burocratização do Estado, a “desumanização” do homem, a expressão de um Direito rigoroso, ultra potestativo e cruel, onde juiz e executor são um e um só. Um soldado é condenado à morte por motivo ridículo: ter dormido durante o serviço. E como agravante, por ter respondido de forma considerada ofensiva a uma autoridade, quando interpelado durante o sono. Esta execução causa enorme surpresa ao explorador, visitante, e indignação diante da revelação do oficial de que o condenado sequer fora ouvido, não tivera direito a defesa, e durante o "processo", sequer era sabedor da própria sentença. A punição é insanamente desproporcional. Não existe Due Process of Law, contraditório, ampla defesa. Tem-se presunção de culpa: ele era culpado, PERIOD. A execução que aguarda o réu é bizarra: morrer dolorosamente, após demorada tortura, em uma máquina que escreverá, em seu corpo - através de “estiletes” de ferro conduzidos pela máquina e minuciosamente programados pelo oficial -, aquilo que fora razão da condenação.

Enquanto o oficial descreve e trata a máquina com tanto zelo e carinho, o sofrimento do soldado é visto como algo banal –- uma banalização da violência, onde observa-se uma nítida inversão de valores. O oficial não se vê na posição de quem comete atrocidades, mas, tal qual uma protótipo "eichmanniano" (ver Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém), como aquele que fria e cegamente obedece ordens. Poder-se-ia dizer ainda que é o típico exemplo do burocrata weberiano, não tão-somente aquele que é burocrata enquanto parte do aparato Estatal, mas burocrata enquanto aquele que não raciocina sobre fins, raciocina sobre meios.

Nâo obstante, deseja ainda o oficial obter a aprovação do explorador quanto a seus procedimentos, pois neste momento (sob novo comandante nada afeito às antigas instruções), ele é o único na Colônia Penal a defender a utilização da máquina - ou seja, a aprovação e aval do explorador, enquanto observador, torna-se de suma importância. Explica-lhe então o explorador a injustiça com a qual percebe o processo. O oficial, não encontrando saída, então pressupondo que a máquina que tanto lhe aprazia e motivava provavelmente seria extinta, sujeita-se ao mesmo castigo impetrado a seus executados: pena capital sob extrema e hórrida tortura. Forças ominosas da malebolgia burocrática, Deus Ex-Machina, soerguei-vos dos ínvios báratros pestilenciais contra o Homem-Criador!! Um final macabro, bizarro, amargo, mas que, à moda do Talião, parece fazer justiça: a morte do executor pela máquina executora, uma justiça surpreendente, a um só tempo terrível e poética.




reescrever o texto inteiro, pqp

sábado, abril 30, 2005

Crítica ao Espírito do romantismo



    Em Diekunst, mit frauen umzugehen, ou A Arte de lidar com as mulheres, Schopenhauer define o amor como um mal. E escreve acerca do romantismo: "O romantismo é um produto do cristianismo. Religiosidade exagerada, veneração fantástica às mulheres e valentia cavalheiresca, portanto Deus, a dama e a espada são símbolos daquilo que é romântico."

    Como ele explicaria o romantismo para um ateu? Bem, no momento, não interessa. Veja bem, caro leitor: não pretendo me referir ao romantismo enquanto determinado período histórico ou movimento artístico ou literário, mas enquanto algo que se desvela em dor derramada, em dor-de-cotovelo, em um derrotismo inexoravelmente improdutivo e patético. E mesmo no campo das artes, se não conduzida por uma mente capaz de oferecer-lhe vazão em verve de genialidade, esvai-se em uma representação estética irremediavelmente brega ou cafona. Há algo mais conservador e reaccionário do que o romantismo? Pode até haver, mas nesse momento não me ocorre. O romantismo está para o conservadorismo como a manutenção do status quo, há uma enorme aversão e receio de mudanças. E a espécie de romantismo à qual me refiro é aquela que atrai covardes e pusilânimes de todos os gêneros. Súcia da qual, para minha vergonha, já fiz parte. Já tentei ser o mais idealista e altruísta dos românticos, mas de tanto apanhar, chega-se a um ponto no qual não se sente mais dor. Poderia ser essa a cura? Bem, esta só veio, efetivamente, quando pude ouvir as vozes da autocrítica, do juízo estético, do pragmatismo, da serenidade, da maturidade e da racionalidade. Homens choram ou não? Bem, já não interessa responder a essa questão, tanto faz. Guerreiros aprendem a enterrar os seus e a seguir a batalha, niemals kapitulieren.

    Uma das características mais marcantes do mal-do-século, além do romantismo desenfreado, é o sentimento de evasão, fuga da realidade, cultivar paisagens, lugares e épocas distantes, cultivar a morte. Evasão de algo para o qual aparentemente não há escapatória, um sentimento perseverante de dor, um quase claustrofobia para a qual a única saída seria gritar "pára o mundo que eu quero descer!" Pode chegar às vias da autocomiseração. Sentimento de quem vive no passado, morre no presente, nega o futuro. Bem ou mal, a vida continua, e o fato do agonizante considerar ter uma existência terrível não impede que ele tenha uma existência terrível.

    Tal paixão é uma doença, o mal dos tolos; não sendo juízo de valor, não necessita ser racionalmente justificada. Ora, espera-se tudo de um uma alma apaixonada, menos sensatez! Se a finalidade do homem é a realização de suas potencialidades, cultiva-se um objeto ideal, impossível, irrealizável. Este ser, incapaz de discernir, perde a identidade, desconhece sua essência, desconhece a si próprio e aquilo que o cerca. Nos moldes do que seriam a fragmentação do Espírito para Hegel, a religião para Feuerbach ou a economia para Marx, o romantismo é alienação. Alienação para a qual a única forma de libertação seria o chamamento para a razão e o pragmatismo. Meu amigo Alphonse Van Worden certa vez escreveu "é infinitamente mais lógico deletar o passado a limitar o presente"; com efeito, se é para sermos românticos, sejamos com aquilo que é possível e realizável!!

    "Dias há que n'alma me tem posto um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê." Este seria o pensamento de um loser. Se Camões foi genial, mesmo o mais genial dos homens será esquecido. Não tenhamos a pretensão de ser "Camões", quando nos dermos conta, a vida nos terá atropelado!

    E como diria o bom e velho Che, hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás.

quinta-feira, abril 21, 2005

Jmpertjnêncjas


Ev e mjnha mjgvcha Kaká, no bar Sierra Maestra, lá pelo dja 9 de abrjl. Reparem no sorrjso jmpertjnente da Mona Ljsa. É, o blog anda bem despojadjnho. Vm gverrejro nvnca se dejxa abater! :p

¡¡¡LLJK DNA LATEM YVÆH!!!

segunda-feira, abril 11, 2005

Dica para o "polvo"




A quem interessar:

Goethe Institut - Curso de Alemão para Juristas

Dias: 6 de Maio a 24 de Junho, às sextas-feiras
Horário: das 18h30 às 21h45
Matrículas: 18 a 20 de Abril

Valores: R$ 392 + taxa de matrícula (R$ 50 para novos alunos)
Informações - Fone: 32227832
Rua 24 de Outubro, 112

domingo, abril 03, 2005

Vma vjsjta jlvstre e o strogonoff da Kaká



Tive a enorme satisfação e privilégio de receber o insígne professor Marco Bataglia, vindo de SP, durante o advento da Páscoa, durante a qual a programação estava formidável - exceto por um barzinho extremamente enfumaçado (o qual peço desculpas, também não suporto cigarros). Conversas sobre música, livros, mulheres (nossa, quando inventam de criar problemas...) até mesmo política, durante uma inusitada troca de idéias com um maluco que resolveu me interpelar na Usina do Gasômetro, sobre Marx. Marco deve ter ficado com a impressão de que só há loucos nessa cidade. Anyway, além de ir na exposição do Miró no Santander (FENOMENAL!! O lugar é tão lindo que é difícil eleger o que olhar: a arquitetura, o Miró ou les belles femmes que lá circulavam), restaurantes (fiquei devendo uma churrascada no 'Na Brasa' ou um frutos-do-mar na Mosquiteiro), cafés, de inúmeros passeios e até uma volta de barco, pude conhecer coisas sobre minha cidade que até eu desconhecia! No último dia, culminando as festividades, o já famoso strogonoff da Kaká fecha com chave de ouro (quem não conhece, não sabe o que está perdendo).


Cebola picadinha, cortesia de monsieur Batalha


Eis o STROGONOFF!! Voilá!!


Marco e a 'chef' Kaká, presenças marcantes


Feijão. Sacaunagem, ficou só olhando.

Para não deixar o leitor apenas na vontade, vou improvisar uma receita de strogonoff por aqui:

600 gr de Filet Mignon em cubos ou tiras pequenas;
1 caixa de extrato de tomate
1 pote de cogumelos
1 dose de vinho tinto
1 cebola (picada em pedaços pequenos), 1 dente de alho e 1 tomate sem semente
1 caixa de creme de leite (coloque apenas no final, senão talha)
1 saco de batata palha

acompanhamento? Arroz ao funghi Tio João (é só colocar o pacotinho em água fervendo e temperar. Não deixa a Kaká fazer, fica um grude)!

Abraços




Música do dia?


La donna é mobile
Qual piuma al vento,
Muto d’accento - e di pensiero.

Giuseppe Verdi


__________________________
Feliz é aquele que sabe ao certo o que procura, porque quem não sabe o que procura, não vê quando encontra.
(Claude Bernard)

quarta-feira, março 02, 2005

Uma recomendação de leitura



    Há pouco li um livrinho (o formato é pocket) de grande valor informativo, Modernismo Brasileiro e Vanguarda, escrito por Lúcia Helena, professora da UFRJ. Em um texto bastante didático e com boa dose de erudição e clareza (sem contudo aprofundar-se além do necessário), a autora expõe os rumos da pesquisa estética através de movimentos que modificaram radicalmente a história da arte no decorrer do séc. XX, uma overview de movimentos como futurismo, expressionismo, cubismo, dadaísmo e surrealismo, e as implicações e reflexos destes movimentos da vanguarda européia na situação cultural, social e política brasileira. O futurismo desencadearia, no Brasil, durante a Semana de Arte Moderna de 1922, o movimento conhecido como Modernismo. A autora relata ainda as relações destes movimentos em conflito com os ideais primitivistas, ufanistas, conservadores, etc. Um relato preciso da vanguarda vista como uma ruptura nos "moldes acadêmicos e conservadores de uma arte envelhecida e cristalizada", no que ela descreve como "valorização da linguagem enquanto tema e objeto da própria arte, a insatisfação do criador em face de procedimentos já sedimentados e a busca de penetrar nos domínios do inconsciente". Um livro agradável, mas o que de facto me entusiasmou foi a óptima relacção "conteúdo informativo" vs. "rapidez de leitura".



    Não obstante, neste intermezzo, tive acesso a trechos de "Manifesto do futurismo", "Manifesto técnico da literatura futurista" e "Suplemento ao manifesto técnico da literatura italiana", de Fillippo Marinetti (1876-1944), bem como o manifesto cubista de Guillaume Apollinaire, o sensacional Manifesto Dada de Tristan Tzara (que eu bem já conhecia) e "A bofetada no gosto público", trazendo à lume o Cubofuturismo russo de Burliuk, Khlebnikov, Kruchenik e Maiakovsky. Todos impressionantes.

Manifesto do Futurismo (1909, publicado no jornal francês Le Figaro)

1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à temeridade.
2. Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.
3. Tendo a literatura até aqui enaltecido a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, nós queremos exaltar o movimento (...), a bofetada e o soco.
4. Nós declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu de uma coisa nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seus cofres adornados por grossos tubos como serpentes defôlego explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Victoria de Samotraccia.
5. Nós queremos cantar o homem que está na direcção, cuja haste ideal atravessa a Terra, arremessada sobre o circuito de sua órbita.
(...)
7. Não há mais beleza senão na luta. Nada de obra-prima sem um caráter agressivo. A poesia deve ser como um assalto violento contra as forças desconhecidas, para intimá-las a deitar-se diante do homem.
(...)
9. Nós queremos glorificar a guerra -- cuja higiene do mundo -- o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas idéias que matam, e o menosprezo à mulher.
10. Nós queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo, o feminismo e todas as covardias oportunistas e utilitárias.
(...)
É para a Itália que nós lançamos este manifesto de violência agitada e incendiária, pela qual fundamos o FUTURISMO, porque queremos livrá-la de sua gangreana de professores, de arqueólogos, de cicerones e antiquários.

Manifesto Técnico da literatura futurista

1. É preciso destruir a sintaxe, dispondo os substantivos ao acaso, como nascem.
2. Deve-se usar o verbo no infinito, para que se adapte elasticamente ao substantivo e não o submeta ao "eu" do escritor que observa ou imagina. (...)
3. Deve-se abolir o adjectivo, para que o substantivo desnudo conserve a sua cor essencial. (...)
4. Deve-se abolir o advérbio, velha fivela que une as palavras umas às outras.



That's it, enjoy!
Best regards, yours truly
.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Avaliação 2004


2004 foi um ano em que TUDO deu certo. Um ano de muitas mudanças. Saí do que chamaria um estado de "blues" para adquirir o que chamo de "espírito guerreiro". Um ano vitorioso, senti-me bastante realizado. Não é fácil começar do "zero", mas deu certo, até mesmo aquilo que tinha tudo para dar errado! É, eu deveria ter jogado na loteria!

"Estar de bem com a vida só depende de nós". É, em grande medida, acredito nisso. Depende da maneira com a qual 'encaramos' essa vidinha como ela se nos apresenta. Acredito que, no momento em que acabou, acabou, não há nada após. Só o pó. Resta aproveitar e tentar ser feliz. E o aprendizado que tive é de que ela não deve ser levada com muita seriedade ou gravidade (ou melhor, a vida não é para ser levada a sério - this is where happiness belongs!); e, importantíssimo, manter o espírito guerreiro sempre! Se está ruim, coragem para mudar; se está bom, podemos deixar ainda melhor. Basta determinação, perseverança, coragem, convicção, estabelecer objetivos e acreditar no que se deseja - o espírito guerreiro engloba tudo isto. E ficar de bem com a vida.

Abandonei o gnosticismo representado pela depressão para encontrar-me completamente lúcido, racional. O deprimido é um ser extremamente supersticioso, coloca mil besteiras na cabeça, de preferência aquelas capazes de o colocar para baixo, e acredita em todas elas. A cirurgia de visão pôs fim a este período obnibulado. O cético não tem que ser pessimista. Mudei radicalmente em algumas coisas. Antes eu ficaria arrasado se algo me magoasse; se um relacionamento fosse por água abaixo, a minha vida também, eram meses de choradeiras e melodramas. Agora penso que ficar magoado é coisa para 'franga'! O cara tem que ser forte, ser macho e acabou. Nào tenho medo de nada, é matar no osso do peito.

Sabe o que faço para não me estressar? Penso na vida ora como um guerreiro, ora como um pândego - daqueles que, não importa o que aconteça, mantém o bom humor, recorrendo ainda ao sarcasmo ou à ironia. Debates na internet, por exemplo: podem me ofender, magoar ou até mesmo xingar a minha mãe -- e se eu não for indiferente (adotei a política do "dane-se", do "whatever", do "foda-se"), na maioria das vezes irei até me divirtir. Testar e observar o comportamento alheio nestes casos é uma experiência realmente divertida -- quanto mais ignorante e intolerante o interlocutor, maior a diversão. Todavia, isso não quer dizer que eu não vá levar a sério um relacionamento, o emprego, a vida acadêmica, etc. Mas sem estresse!

Estar de bem com a vida. Como dizem onde trabalho: "hoje o dia foi massacrante mas tu te divertes, né?". É por aí.

"As grandes épocas de nossa vida são aquelas em que temos a coragem de batizar nosso lado mau de nosso lado melhor" Nietzsche, Além do Bem e do Mal (116, pg. 75)

segunda-feira, janeiro 03, 2005

John Rawls e a sua "Teoria da Justiça", conceitos básicos ou um pequeno glossário



A posição original
Situação hipotética segundo a qual as partes contratantes, representando pessoas racionais e morais, livres e iguais, escolhem, sob um "véu de ignorância", os princípios de justiça que devem governar a estrutura básica da sociedade. In somma, a versão revigorada de Rawls para a idéia de contratualismo.

O véu de ignorância
Condição capaz de assegurar que, na escolha dos princípios de justiça na "posição original", não serão levadas em consideração concepções particulares de bem, a posição social, os talentos e habilidades particulares das partes e de cada cidadão representado.

A sociedade bem-ordenada
Rawls confere a esta o ethos de uma sociedade como um sistema justo de cooperação entre pessoas livres e iguais. Uma sociedade bem-ordenada será aquela que, efetivamente, estiver bem regulada por uma concepção pública e política de justiça, na qual cada cidadão aceita, e sabe que todos os demais cidadãos também aceitam, os mesmos princípios de justiça, precípuos aos termos eqüitativos de uma cooperação social.

Razão pública
A razão compreendida entre os cidadãos de uma sociedade democrática liberal, na medida em que todos compartilham uma mesma concepção de justiça.

Igualitarismo liberal: igualdade do bem-estar social, mínimo de intervenção da esfera pública na privada, individualismo.

Democracia deliberativa
O bem individual deve ser escolhido de forma a considerar o interesse dos demais membros da sociedade, otimizando as possibilidades de concretização do fim racionalmente escolhido por cada um.

Os princípios de igualdade
Rawls considera dois princípios que, aplicados à estrutura básica da sociedade, são essenciais para garantir a distibuição de bens primários para todas as pessoas, independentemente de seus modelos de vida e de suas concepções de bem. O autor enfatiza bens primários como a autoestima e o auto-respeito, acompanhados de outras liberdades básicas, rendas e direitos à recursos sociais essenciais como educação e saúde.

A estrutura básica da sociedade desvela-se na forma com que instituições sociais, econômicas e políticas organizam-se sistemicamente para atribuirem direitos e deveres aos cidadãos.

a) princípio da igual liberdade
Todas as pessoas possuem igual direito a um projeto amplamente satisfatório de direitos e liberdades, projeto este compatível com todos os demais, dentre os quais a liberdade política, e apenas esta, deverá ter seu valor eqüitativo assegurado.

b) Como a todos são atribuídos os mesmos direitos e deveres, as desigualdades são justas. Entretanto, as desigualdades sociais e econômicas devem satisfazer a dois requisitos:
b.1) Princípio da fair equality of opportunities
Devem preservar o acesso de todos os cidadãos à cargos e posições, em igualdade eqüitativa de oportunidades.
b.2) Princípio da diferença
Devem representar o maior benefício possível aos membros menos privilegiados da sociedade (também chamado de princípio do "maximin", o menor dos piores resultados possíveis).

Ver Oliveira, Nythamar de; Rawls, Jorge Zahar (2003). Rawls, John; Uma Teoria da Justiça, Martins Fontes. Rawls, John; O Direito dos Povos, Martins Fontes.

(ok, ok. coloquei este post para poder 'guardar' e ler virtualmente o texto enquanto estudo a idéia central que irei utilizar em um artigo sobre "Ação afirmativa" ou "o direito do indivíduo a uma igual proteção").

sábado, janeiro 01, 2005

Feliz 2005!




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segunda-feira, novembro 29, 2004

Férias da internet


Hi ho! Estou por aqui para tentar redimir minha ausência internética; nas últimas semanas ando deveras ocupado, tenho sido um bocado negligente com este espacinho virtual onde vertem todo tipo de estultícies e baboseiras que minha aparvalhada mente pode conceber. Bem, estou bastante atarefado com trabalho e estudos, com alguns artigos, resenhas atrasadas, ainda deveras "azulcrinado" assistindo meu tricolor amargando a entrada no inferno da segundona, e, ainda por cima, bebendo demaaaaaaaaaaaais... mas a culpa não é minha, a vida social também anda atribulada. Bem, ladies and gentleman, em breve, por volta de 10 de dezembro, prometo vir com alguma escrevinhação nova! Até lá, estarei em algum nosocômio recebendo sorinho de glicose ou em internação psiquiátrica, realizando tratamento para desintoxicação de consumo excessivo de álcool.

Abraços!

quinta-feira, outubro 21, 2004

Colisão de princípios, crise política na França - aporias e armadilhas da igualdade na Democracia



Pela primeira vez, escola francesa expulsa alunas por uso de véu
Reuters

MULHOUSE, França - Uma escola francesa expulsou nesta terça-feira duas alunas que usavam véus islâmicos. É a primeira vez que a polêmica lei que proíbe a exibição de símbolos religiosos em escolas públicas, em vigor desde setembro, gera expulsão.

As duas alunas da sétima série, de 12 e 13 anos, recusavam-se a tirar os véus desde a volta às aulas, no mês passado, apesar das várias reuniões dos professores com elas e com seus pais, segundo o diretor Michelle Feder-Cunin.

- O conselho disciplinar decidiu excluir definitivamente as duas alunas da escola - anunciou ele.

A França impôs a lei para reforçar o caráter laico da sua educação pública e para conter o radicalismo islâmico nas salas de aula. Crucifixos grandes e solidéus judaicos também foram proibidos. Jóias com alusões discretas a crenças continuam toleradas, para não violar as leis européias de direitos humanos.

Em Paris, o ministro da Educação, François Fillon, disse que cerca de 70 meninas em todo o país podem ser expulsas de suas escolas por insistirem em usar o véu. Três meninos da religião sikh em um subúrbio de Paris também estão contestando a lei, porque não querem deixar de usar turbante. Fillon disse que não haverá exceção.

- A lei vale para todos - declarou a autoridade.

As alunas expulsas da escola de Mulhouse podem agora se transferir para um colégio particular ou continuar sua educação usando cursos por correspondência.






    Pode-se dizer que, para caracterizarmos uma Democracia, precisamos considerar pelo menos três princípios fundamentais: tolerância, separação dos poderes (checks and balances, pressuposto que configura garantia fundamental para um Estado de Direito), e um princípio não tão facilmente dedutível que reza acerca de justiça, mais especificamente justiça social . Vou abordar apenas o primeiro deles. O princípio de tolerância obriga o Estado a garantir a liberdade de expressão de crenças políticas, culturais ou religiosas, desde que estas não perturbem a ordem pública. Implica dizer também que o Estado é laico, ou seja, trata de forma igualitária a todas as formas de religião, sem contudo identificar-se com qualquer uma delas. Pergunta: o uso de turbantes por parte de CIDADÃOS, no caso alunos da rede pública, interfere na laicidade do Estado? Que proiba-se a colocação de crucifixos ou quaisquer símbolos que identifiquem-se com uma ou outra religião nas salas de aula, ok: nada mais de crucifixos em cima da porta, em cima da lousa, whatever. Mas colocar tais imperativos a seus alunos? Não seria, antes disso, um caso de repressão de expressão cultural ou religiosa? Ainda, parece um típico caso no qual um suposto princípio de 'igualdade' (posto que trata aos 'desiguais' como 'iguais') fere a princípios de liberdade.

    O único motivo pelo qual poder-se-ia aceitar uma imposição inacreditavelmente ridícula como esta seria no caso de alegada 'perturbação da ordem pública'. Será que isto acontece? Será que o simples uso de turbantes, lenços ou burcas significa 'perturbação da ordem pública'? Não resido na França para saber, mas parece tolice acreditar nisso.

    O que diz La Constitution de la Ve République?
De la Souveiraneté - Les Piliers de la République:
Art. primer. - La France est une République indivisible, laïque, démocratique, sociale et décentralisée. Elle assure l'égalité devant la loi de tous les citoyans sans distinction d' origine, de race ou de religion. Elle respecte toutes les croyances.


    O artigo primeiro expõe os princípios que são a base do regime político francês e nos quais repousará a materialidade de todos os demais artigos da constituição. Neste garante-se a igualdade de direitos e reclama-se o princípio da não-discriminação entre os homens, que é considerado um dos fundamentos da República Francesa segundo a Assembléia de 1789 que redigiu a famosa Déclaration des Droits de l'Homme et du Citoyen.

    É paradoxal. Se sob a luz do que l'esprit des temps, que ao intróito do século XIX e segundo Alexis de Tocqueville determinava uma inevitável marcha para a Democracia, hoje, ao alvor do séc. XXI, percebemos o mesmo espírito inexoravelmente 'embananado' em questões democráticas veramente basilares.

Saudações!

sábado, setembro 11, 2004

11 de setembro:

2792 civis mortos nos EUA. 2004: até o momento, pelo menos 11000 civis mortos pela intervenção militar dos EUA no Iraque. Ambos os números nefastos e injustificáveis.

http://www.iraqbodycount.net/













Esta é a face da Pax Americana. A carnificina belial promovida pelo escalfúrnio neoliberal, o MOLOCH norte-americano, parece não ter fim.

Books

  • CHESTERTON, G. K.. Ortodoxia
  • CLAUSEWITZ, Carl von. Der Krieg
  • COLERIDGE, S. T. Biographia Literaria
  • EVOLA, Julius. Men Among the Ruins
  • GUDERIAN, Generaloberst Heinz. Panzer Leader
  • GUÉNON, René. The Crisis of the Modern World
  • JUNGER, Ernst. Storm of Steel
  • SCHMITT, Carl. Der Begriff des Politischen
  • SWIFT, Jonathan. Panfletos Satíricos

Fave music:

Syd Barrett's Pink Floyd, Cream & Clapton, King Crimson, Univers Zero, Heldon, Faust, Magma, Mahavishnu Orchestra, Miles Davis, Astor Piazzola, Frank Zappa, Marty Friedman, Al Di Meola, Jefferson Airplane, Led Zeppelin, Funkadelic, Allman Brothers, Blue Cheer, Beatles, U2, Chrome, Velvet Underground, The Stooges, John Cage, Villa-Lobos, Beethoven, Bartók, Stravinsky, Bach... & Coltrane, Coltrane, Coltrane, C-O-L-T-R-A-N-E-!

E SLAYER, PORRA.

Pleonasmo


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O Autor

O homem só será capaz de atingir sua racionalidade plenamente quando for capaz de despir-se de tudo o que lhe deveria ser abstruso, principalmente os adereços da ignorância e do preconceito.

Plus au sujet de moi: Vous la saurez en temps voulu... Ou peut-être vous ne saurez jamais... Qui sait? Ah, arquétipos: tropismo por mulheres de óculos.


"O casaco de Arabela Tá com bosta na lapela É bom, mas está borrado. Veio o inverno, veio o frio, O casaco ainda serviu, Borrado não é rasgado." Bertolt Brecht


Humor: Les couleurs du chat peuvent changer.